Aborto espontâneo – Precauções a tomar para evitar o Aborto

Aborto espontâneo - as precauções a tomar para evitar o acidente.

Para qualquer mulher que se sabe grávida, o aborto espontâneo é uma experiência dolorosa, mesmo quando ocorre muito precocemente. E fica ainda o pavor de que a história se repita. Ora, em mais de 80 por cento dos casos, trata-se de um acidente isolado. Além disso, frequentemente, certas medidas tomadas imediatamente permitem evitar o acidente

O aborto espontâneo (ou interrupção acidental da gravidez) é chamado precoce quando ocorre antes da oitava semana da gestação; passado este período, chama-se tardio. Para além dos seis meses, o termo já não se utiliza. A expulsão do feto é neste caso considerada com um parto muito prematuro.
O aborto espontâneo é particularmente frequente no decurso do primeiro trimestre.

Quanto aos sintomas, variam pouco: perdas de sangue e dores no baixo ventre devidas a contracções uterinas que se associam a um atraso das regras. Acentue-se, porém, que as perdas de sangue são frequentes no início da gravidez e que nem todas são anúncio de um aborto espontâneo. Um exame permitirá apreciar a abundância das perdas sanguíneas, o volume do útero, a eventual abertura do colo do útero, bem como as consequências das perdas de sangue no estado geral da mulher (tensão arterial, vertigens, palidez).

Deverá ser completado pela ecografia pélvica que verificará a localização intra-uterina do óvulo, a sua vitalidade e a sua idade. Para maior segurança, o melhor será reduzir as actividades e repousar, enquanto se aguarda o resultado das análises.

Selecção natural

A principal causa do aborto espontâneo é uma anomalia cromossómica do óvulo. O que pode ser considerado como sabedoria da natureza, que elimina espontaneamente as anomalias da fecundação… com a interrupção do desenvolvimento da gravidez. Outro caso frequente: o óvulo sem embrião no seu interior, ou um óvulo não fecundado. Em todos os casos de gravidez não evolutiva, se não houver evacuação espontânea, torna-se necessário proceder a uma aspiração a fim de evitar infecções.

Sempre que seja possível, em caso de aborto espontâneo, é preferível aguardar pela expulsão espontânea do óvulo em vez de praticar uma aspiração acompanhada por uma raspagem, cujo risco pode ser uma alteração do colo do útero. O que é preciso ter em conta nestes casos de partos precoces é que os riscos de recidiva não são aumentados de maneira nenhuma, dado que as gravidezes futuras são normais em 80 por cento dos casos – uma percentagem muito próxima da que diz respeito ao conjunto das mulheres sem antecedentes de abortos espontâneos.

Mais tarde…

Os abortos espontâneos tardios, muito mais raros, são muitas vezes devidos a causas mecânicas (anomalias do útero, presença de um fibroma, colagem das paredes interiores da cavidade uterina), útero demasiado pequeno e, sobretudo, a uma rotura do colo uterino que representa um quarto do partos precoces. No caso de regurgimentos tingidos de sangue, de contracções uterinas dolorosas e mesmo quando se tem a impressão de que o feto se movimenta menos, é necessário verificar imediatamente as batidas do coração e prescrever uma ecografia. É, por vezes, possível evitar o aborto espontâneo adoptando algumas regras simples: repouso no leito, ausência de relações sexuais durante alguns dias.

A propósito de relações sexuais é bom sabor que, após um aborto espontâneo, é conveniente, antes de iniciar uma nova gravidez, esperar pelo menos um ciclo inteiro. A rotura do colo do útero, como se viu, é a primeira causa do aborto espontâneo tardio. As causas podem ser múltiplas, mas, felizmente, é uma das situações que melhor se sabe tratar.

Uma técnica cada vez mais praticada consiste em cercar o colo do útero com um fio que é depois atado como os cordões de uma bolsa. Antes do nascimento, ao parteiro basta simplesmente cortar o fio. Como prevenção preconiza-se: interrupção do trabalho, repouso prolongado, vida calma e supressão de carga de pesos pesados, de esforços físicos de braços erguidos, a interrupção das relações sexuais e a investigação de possíveis infecções urinárias que podem provocar contracções uterinas.

Perante a repetição

Após três gravidezes não levadas a termo, a simples má sorte não basta para explicar estes partos prematuros, que se designam por de repetição. Será assim indispensável identificar-lhe claramente a causa a fim de remediar quando seja possível. Entre os exames que convém efectuar, toma importância a análise dos cromossomas dos dois pais para verificar se não comportam anomalias, assim como o despiste de eventual fibroma. No entanto, não é raro acontecer que nenhuma causa é encontrada, que surja uma nova gravidez que vá até ao seu termo e que nasça um belo bebé sem que se saiba porquê nem como…Mas quem é que se vai queixar?

OS FACTORES DE RISCO

Sem se ser sistemático, certos factores estão muitas vezes na origem de abortos espontâneos:

A idade. Muitos destes abortos (particularmente os ligados à expulsão de óvulos com anomalias cromossómicas) aumentam com a idade da mulher. São muito mais numerosos após os 40 anos. A tal selecção natural…
O tabaco. Um importante factor de risco (mais de 20% destes abortos espontâneos urgem entre as mulheres que fumam). O álcool tem inconvenientes semelhantes.
O stress. De facto, um traumatismo psicológico importante (morte de uma pessoa querida, por exemplo) pode provocar um aborto espontâneo.
Choque físico (uma queda, uma pancada).
Doença crónica (hipertensão, problemas da tiróide) ou uma infecção local. Sem esquecer as três Parcas da maternidade que são a rubéola, a toxoplasmose e a listeriose.
Insuficiência hormonal. Incompatibilidade de factor sanguíneo entre o feto e a mãe, com imunização anterior. A prevenção reduz consideravelmente o número destes casos.
Excesso de exercício físico. Embora as mulheres grávidas não sejam hoje assimiladas a uns seres frágeis, o exercício físico (desporto intensivo, trabalhos físicos muito fatigantes ou longos trajectos nos transportes públicos) podem igualmente ser responsáveis por um aborto espontâneo durante o primeiro trimestre.

A GRAVIDEZ EXTRA-UTERINA

A única área do corpo feminino prevista para acolher o embrião é o útero. Fora deste ninho o óvulo não pode desenvolver-se. Desta maneira, uma gravidez extra-uterina só pode terminar por um aborto. Na maior parte dos casos, o óvulo que se instalou numa trompa descola-se e morre nos primeiros meses. Contudo, torna-se imperioso diagnosticar a gravidez o mais rapidamente possível para evitar um certo número de complicações para a mãe.

DESEJAR UM FILHO

É notório que os abortos espontâneos são mais frequentes durante o primeiro trimestre. De qualquer maneira, este tipo de aborto, mesmo muito precoce, é sempre uma experiência traumatizante e dolorosa para a mãe. Na verdade, 70% dos abortos espontâneos passariam desapercebidos se a gravidez não tivesse sido diagnosticada numa mulher que pretendia ser mãe.. Escreveu um especialista: O médico está em contacto com embriões muito diferentes, mesmo se o seu desenvolvimento biológico seja idêntico. há os que, embora totalmente vivos, não têm qualquer futuro, dada a ausência de desejo dos seus progenitores. Há os que, embora apenas formados, quase inexistentes, são tão reais, tão ardentemente desejados pelos pais.

24. September 2010 by admin
Categories: Causas, Exames, Sintomas | 3 comments

Causas do aborto espontâneo

Muitos artigos falam sobre o aborto espontâneo, mas acabei sempre por ficar com dúvidas sobre as verdadeiras causas. Quando abortei procurei as causas em vários artigos, científicos e não científicos, e comecei a questionar-me. Será que se deveu à minha má alimentação? Será que foi o creme da celulite que utilizei nas primeiras semanas de gravidez, porque ainda não sabia que estava grávida? Será, será, ou não será…?

Soube que em mais de 80% dos casos trata-se de um acidente isolado que não se torna a repetir. Não fazia ideia que havia assim tantos casos, visto que socialmente falar de aborto é ainda um pouco tabu, no sentido em que o sofrimento ainda não é entendido como uma perda ‘real’ de um filho. Por isso, como não ouvia ninguém dizer que tinha abortado pelo menos uma vez na vida, pensei que fosse algo que acontecia a pessoas frágeis e doentes. Nunca imaginei que fosse algo tão frequente. O aborto espontâneo é frequente no primeiro trimestre da gravidez, o que não significa que não aconteça mais tarde. A probabilidade de acontecer é muito maior no primeiro trimestre.

E uma vez mais nos deparamos com probabilidades e não com informações matemáticas que tanto ansiamos que a medicina nos dê! É precoce quando acontece antes da 8.ª semana de gestação, que foi o meu caso. Tive que esperar até à 8.ª semana de gestação para me informarem com toda a certeza que teria que fazer um aborto, mas à 6.ª semana foi detectado que algo não estava bem.

É tardio quando acontece depois desse período. Para além dos seis meses é chamado parto muito prematuro. Foi um grande choque quando me disseram que teria que fazer um aborto, porque não tive nenhum sintoma que indicasse que tinha perdido o embrião. Não sangrei, nem tive nenhuma dor abdominal. Nada! Eu sei que nem todas as perdas de sangue são sinónimo de aborto espontâneo, mas fiquei arrasada porque não senti nada!

No meu caso não houve uma explicação lógica. Apenas disseram que muito provavelmente o embrião teria alguma anomalia grave e a natureza encarregou-se de o eliminar. A tal selecção natural! O aborto torna-se mais grave quando se dá a repetição do mesmo: três ou mais. Esse era o meu maior receio na altura. Há médicos que são muito rígidos e só começam a estudar o caso das mulheres com abortos de repetição apenas quando se dá o terceiro. Porém, muitos acham desnecessário esperar que aconteça o terceiro para se iniciar um estudo aprofundado das causas. O casal, e a mulher em particular, não deverão ser sujeitos a mais um sofrimento desnecessário.

De qualquer modo, há muitas mais causas que ainda não foram estudadas aprofundadamente.

24. August 2010 by admin
Categories: Causas, Desabafos | 6 comments

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